Para quem não me conhece, eu resolvi dividir com vocês como esse lado artista surgiu em mim e quando eu me assumi artista, o que aconteceu na minha vida que me levou a trabalhar com arte.
Desde as aulas de educação artística quando criança, eu já me identificava muito com pintura e trabalhos manuais, sempre amei estudar sobre a história da arte e seus movimentos artísticos, visitar museus e exposições de grandes artistas, observar as pinceladas nas obras bem de perto.
Acredito que minha escola, na educação fundamental, foi muito importante na minha fomentação como artista, pois desde cedo eu tive muito incentivo e contato com a arte e a cultura. Fiz aulas de pintura a óleo dos 13 anos de idade até 16, criava trabalhos em Biscuit, pintura em móveis e objetos de decoração.
Durante o ensino médio eu resolvi fazer a faculdade de Arquitetura, na qual eu tive muita sorte por ter professores que também incentivavam a arte, os projetos conceituais, a filosofia e as intervenções urbanas muito próximas das expressões artísticas.
Logo que me formei em 2013 eu já comecei a trabalhar como arquiteta autônoma na cidade de Santa Fé do Sul, interior do estado de São Paulo. Um ano e meio depois eu abri meu próprio escritório, no qual, trabalhei até 2018 em sociedade, quando decidi me mudar para São Paulo por motivos pessoais.
Mesmo com meu escritório eu já desejava voltar a pintar para resinificar o que a arte foi para mim na adolescência, principalmente porque eu fazia pintura de reprodução e não pintava nada que viesse de dentro de mim. Mas com a correria do dia a dia e seus momentos de stress, eu não consegui voltar a pintar.
Nesse período eu iniciei meus anos de terapia para me entender, aprender a lidar com as outras pessoas e as minhas frustações com a minha formação profissional. Por ter sido uma formação tão conceitual, isso não me preparou muito para enfrentar a realidade da arquitetura x lidar com pessoas, pois ser arquiteto é ser um pouco psicólogo, administrador, comerciante, vendedor, mediador e o principal, temos que ser especialistas em resolver problemas e imprevistos. Rsrs.
Então, ao me mudar para São Paulo, eu mandei muitos currículos e não tive respostas imediatas, então aproveitei o meu tempo para poder pensar no meu desejo de resgatar meu trabalho com arte, pois mesmo procurando trabalhos na área de arquitetura eu não me via mais sendo arquiteta, eu buscava por mais, para mim e para minha vida. Eu buscava ser completamente eu de verdade, buscava trilhar meu próprio caminho.
Assim, baseada em muitos anos de terapia e autoconhecimento, eu resolvi tomar coragem e encontrar uma nova forma de me expressar através da arte. Comecei a pesquisar o que eu poderia fazer, levando em consideração que inicialmente eu não tinha muito dinheiro para investir, então acabei deletando das minhas possibilidades a pintura com tinta a óleo e a produção de cerâmicas (eu não comentei antes, mas queria fazer cerâmicas rsrs).
Dentre as minhas pesquisas me deparei com um artista de Istanbul, da Paperpan Artworks, que foi minha primeira inspiração para o desenvolvimento do meu estilo de trabalho. Comprei alguns papéis, mesmo sem conhecer técnicas e sem nenhum curso e desenvolvi meu primeiro trabalho, uma ovelha que misturava o origami e os triângulos da Paperpan.

… Continuo nossa conversa em um próximo post, pois vou colocar a arte do Paperpan Artworks como artista inspiração do mês para vocês conhecerem o trabalho dele. Mas nesse momento eu posso ressaltar o quanto é importante a Educação artística na formação das crianças e adolescentes. Não deveria ser somente uma matéria opcional na escola e sim uma das principais matérias, com professores que incentivam e ensinam realmente a história da arte. Não podemos colocar nossas crianças para desenhar de forma aleatório, devemos mostram a importância da arte e da cultura. Incentivar o lúdico e o imaginário.




