Vamos continuar com nosso diário!!! …
Bom… Fui com a minha ovelha para uma grande feira de artesanato que acontece em São Paulo todos os anos, a Mega Artesanal, e lá conheci o trabalho de uma outra artista que me encantou, no estande da Universidade do Papel. A partir disso eu me matriculei em um curso dessa artista na Universidade do Papel.
No dia do curso, ao final da aula eu perguntei para um dos funcionários que estava lá para nos orientar, se eles estavam precisando de alguém para trabalhar em eventos ou no que fosse necessário. Ele anotou meu número de telefone e uma semana depois me ligou, me chamando para trabalhar como freelancer no processo de produção artesanal das obra de arte do artista chileno Enrique Rodriguez (vou fazer o próximo post mostrando o trabalho incrível do Enrique para vocês conhecerem, como artista inspiração do mês de Setembro).
Trabalhei para o Enrique uns 7 meses e nesse período eu pude aprender muito sobre os papéis, as técnicas e todos os materiais utilizados em geral. Fiz amizades extremamente importantes, pessoas que me apoiaram e me apoiam até hoje e com certeza farão parte da minha jornada para sempre.
E um dia, após ser incentivada por essas pessoas eu cheguei para o Enrique e mostrei minha ovelha e ele me orientou a lançar um outro olhar sobre aquela minha primeira produção, me disse que a arte estava fechada demais, presa em uma forma ( a base de ovelha em origami), em uma escala muito pequena. E o João Colagem, outro artista maravilhoso e com muita experiência que trabalha na UP me disse para pensar em um trabalho com diferentes escalas, modular, expressando o que eu sou, as minhas experiências de vida, me colocou para pensar no que significa a minha arte para mim.
Neste momento o Enrique lançou um desafio, ele me apoiaria em participar de uma feira que ele realizava na Universidade do Papel, o Paper Day, me dando um limite de tempo curto para que eu produzisse meus trabalhos e saísse da estagnação daquela ovelha.
Então, partindo dessas orientações e dessa super oportunidade de participar da feira, eu fiz minhas primeiras obras da coleção Memória.
Porque a coleção se chama Memória? Quando eu estava na faculdade eu fiz meu trabalho de conclusão de curso baseado em memórias da minha infância e para iniciar minhas obras abstratas fazia todo sentido resgatar a minha vivência com o meu TFG, que foi um momento de muito crescimento pessoal em que eu pude olhar para várias questões boas e ruins em minha vida.
Eu queria deixar isso sair, queria tocar, falar com as pessoas através da minha arte, mesmo eu não sabendo exatamente o que era ainda a minha arte, pois existe sempre um processo de autoconhecimento e experimentação. É como ficar perdido em uma selva criativa, é como se perder para se encontrar. Isso era uma oportunidade, uma possibilidade de uma nova profissão para amar.
Assim, eu apresentei meus trabalhos na minha primeira feira e foi uma experiência super especial, por ter contato com um público que curte arte em papel e conhecer vários artistas na mesma posição que eu e a troca de experiências.
Ao mesmo tempo que eu fui desafiada para minha primeira feira, eu também fui convidada para participar de uma Mostra de arquitetura em São José do Rio Preto/SP. Como não havia ainda expositores para o estande do Lounge Arq Design, eu fui chamada por uma amiga arquiteta para expor meus quadros, que eles ficariam responsáveis pela decoração do espaço para que eu tivesse tempo de produzir minha obras, pois estava em cima da hora. Por ser o início do meu processo de produção eu chamei um outro artista para participar comigo. Na correria total, eu fui montar a minha primeira exposição em uma Mostra de Arquitetura, porque foi logo em seguida do Paper Day.
Depois disso eu continuei fazendo cursos e aprendendo técnicas para me conhecer melhor como artista, pois tendo um embasamento técnico eu pude criar a minha forma de trabalhar, a minha técnica e desenvolve-la com mais excelência. Fiz também mais três feiras para expor meus novos trabalhos. E falta muito ainda para aprender e me desenvolver de forma pessoal e profissional.
Não posso dizer que essa transição de profissões foi tranquila, e ainda não é. Pelo receio que eu tinha da minha família, pois meus pais pagaram a faculdade e tinham as suas expectativas, e por eu já ter tido meu próprio escritório. Como eu poderia falar que eu não queria mais trabalhar com arquitetura para ser artista? E minha família sabia que eu amava a arquitetura, mas eles não sabiam que eu também tinha as minhas frustrações com ela.
Para mim ser artista é uma profissão como outra qualquer, temos que vender nossas produções, temos que ser a nossa própria marca. Mas muitas pessoas não conseguem ver dessa forma e meus pais também acreditavam que eu deixaria uma profissão concreta por uma profissão que eles acreditavam não ser possível eu viver dela.
Enfrentar esse conflito dentro de mim me levou a continuar trabalhando com arquitetura ao mesmo tempo que eu trabalhava com a arte, mas a arte era muito forte dentro de mim e a arquitetura estava atrapalhando no meu desenvolvimento pleno como artista, pois eu era uma pessoa dividida. A minha atenção era dividida entre o que eu queria ser e suas dificuldades e o que eu já era, e poderia ser um caminho mais fácil financeiramente.
Enfim, escolhas são escolhas, temos que aceitar que o que escolhemos para nossas vidas tem suas consequências boas e ruins, e isso também tem que ser abraçado e assumido. É ganhar e perder ao mesmo tempo e temos que estar preparados para isso.
Enfim, vamos deixar para os próximos posts a continuação desse diário… até breve!!! 🙂




